Conheça Hong Kong, a Nova York do Oriente


Hong Kong é uma ilha no sul da China de pouco mais de mil km² e uma população de 7 milhões de pessoas. Se você parar pra fazer as contas, é muita gente para pouco espaço. O local é uma das áreas mais povoadas do mundo, ou seja, você vai encontrar por lá muita gente, muita mesmo. Mesmo com toda essa população, não pense em Hong Kong como um lugar desorganizado. A ilha é moderna e com uma infraestrutura de primeira. Por aqui você vai encontrar prédios modernos que lembram metrópoles como Nova York.

 
Prédios modernos estão por todos os cantos da ilha (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

Mas Hong Kong não é só modernidade. A parte mais tradicional da ilha, com os mercados e placas de publicidade ainda sobrevivem em pequenas ruas em meio as grandes avenidas.

O mercado popular atrai turistas de todo mundo (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

Antes de pensar em conhecer os simpáticos asiáticos, vamos começar com uma pequena aula de história. Você pode estar se perguntando: Hong Kong faz parte da China? Bem amigos, podemos dizer que sim e não. A história é um pouco complicada, mas vou resumir. A ilha pertencia aos ingleses desde o século 19 e passou para o comando dos chineses em 1997. Mesmo assim, foi considerada uma “Região Administrativa Especial”, o que significa que o local só depende da China nas áreas de relações internacionais e defesa militar. Hong Kong tem bandeira, moeda e leis próprias. Na prática, isso facilita em vários sentidos.

Ao contrário da China, não precisamos de visto, por exemplo, para entrar lá. Outro detalhe é que em Hong Kong não existe o controle de internet igual os chineses, ou seja, você pode entrar no Facebook, Twitter e Gmail à vontade. Além de tudo isso, outro item bem interessante para nós, pobres-brasileiros-reféns-dos-altos-impostos-e-produtos-caros, é que na ilha não têm impostos, ou seja, se você tem aquele espírito capitalista quero-comprar-tudo pode levar dinheiro para trazer as famosas comprinhas pra casa como o pessoal da foto.

Lojas de grife fazem parte do comércio da cidade (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

Money

Já que o assunto são as compras, vamos começar pelo din-din. A moeda em Hong Kong é o Hong Kong Dóllar (HKD), que, apesar de você nunca ter ouvido falar, é a nona moeda mais usada no mundo, bem mais que o nosso surrado Real (que ocupa a nobre 16ª posição). Na cotação, HK$ 1 custa em média 40 centavos de Real, ou seja, nossa moeda vale mais. Na prática, isso não significa muito, já que Hong Kong é considerado um dos lugares mais caros da Ásia.

Pensou em desistir da viagem? Calma, meu jovem, não desanime. Os países asiáticos são famosos justamente por terem um baixo custo de vida, então a “cara” Hong Kong vai ser, na prática, um pouco mais barata ou com um preço parecido das grandes cidades brasileiras. Tudo depende do que você está comprando ou consumindo. A alimentação e transporte têm um preço bem parecido com o daqui. O McDonalds, por exemplo, e outras redes, como a KFC, abrigo sempre seguro para os viajantes, são mais baratos que os do Brasil. O Big Mac sai por aproximadamente R$ 7.

No transporte, o preço do metrô depende da distância do trajeto, mas é uma média de HK$ 8 por viagem, ou R$ 3,50. Em relação às compras, pode começar a sorrir. O país não têm impostos de importação e nem impostos tipo ICMS. Portanto, tudo tende a ser bem mais barato que o Brasil. Tende? Vou explicar. Primeiro a má noticia. Mesmo sem impostos, alguns produtos, como roupas, acabam saindo um pouco mais caros ou no mesmo preço do Brasil. Isso porque os comerciantes jogam os preços lá pra cima mesmo, na cara dura, sem culpar o governo por isso (diferente de “certos lugares”).

Agora a boa notícia. O mesmo não acontece com os eletrônicos. Os preços são beeemmmm mais baixos que os daqui. Vamos dar um exemplo com o produto mais amado do mundo: o iPhone. O modelo 7, com 16gb de capacidade, sai por HK$ 5,588, ou R$ 2300. O mesmo modelo aqui sai por R$ 3500.

O único item um pouco mais caro da viagem pode ser o hotel. Claro que tudo depende das promoções que você encontrar por aí, mas os preços costumam ser um pouco salgados. Como Hong Kong é uma ilha, existem poucos lugares para a construção, e esse é um dos motivos dos altos prédios, tão famosos na ilha.

Para você ter uma ideia de como os moradores de lá sofrem, o aluguel de um apartamento simples, de três quartos, em uma boa região da cidade, sai pela bagatela de R$ 20 mil reais por mês. Mas como você não vai morar por lá, só visitar, uma boa pesquisa com antecedência te ajuda achar bons preços de hotéis. A média de gastos gerais é de uns R$ 150 por dia, mas, é claro, isso depende do seu estilo de viagem. Essa média é para quem consegue uma boa promoção de hotel, economiza no almoço e come em bons restaurantes poucas vezes durante a viagem. Se você enfiar o pé na jaca, a conta vai sair bem mais cara. Nos próximos posts te explico mais detalhadamente como encher a pança, como se locomover pela ilha e fazer compras por lá.

Quando ir?

Depois de fazer as contas de quanto vai deixar do seu rico dinheirinho com os asiáticos, é hora de decidir quando ir para Hong Kong. Não existe uma época ideal, mas é claro que você não vai querer ficar de sunguinha ou biquíni na praia no inverno.

Como Hong Kong fica no Hemisfério Norte, julho é o mês mais quente e janeiro o mais frio, o contrário daqui (lembra das aulas de geografia?). Os invernos por lá não são tão frios quanto em outros lugares. Em janeiro a temperatura fica em média 18 graus durante o dia e 12 graus durante a noite, mas não baixa mais do que isso. Durante o verão, aí sim amigo, o bicho pega.

A cidade tem uma média 32 graus durante o dia e 26 graus durante a noite. Agora você pode estar pensando: ah, na minha cidade é mais quente, estou acostumado e blá blá blá. Bom, se você não mora na região Norte do Brasil, tenho uma novidade. O verão em Hong Kong, além de quente, é úmido, muito úmido. O que isso significa? A umidade potencializa a sensação de calor (lembra como é estar dentro de uma sauna?).

Fica tão quente, que é normal nessa época ver os locais usando os corredores do metrô para andar e fugir do calor das ruas. A Primavera e o Outono são as épocas mais agradáveis. Durante o dia a média é de 22 graus e durante a noite cai um pouco. Mas é claro, se você quer aproveitar as praias de verdade, vá no verão. O truque é sempre ter uma garrafa de água por perto e tomar uns três banhos por dia.

Gráfico mostra as médias de temperatura máxima e mínima em Hong Kong durante o ano
Média de temperatura durante o ano em Hong Kong (Crédito: World Weather Online)

 

Gráfico mostra as médias de chuvas em Hong Kong durante o ano
Média de chuvas durante o ano em Hong Kong (Crédito: World Weather Online)

Como chegar?

Mesmo você nunca tendo conhecido ninguém que foi pra lá, acredite: muita gente sai do Brasil com destino a Hong Kong todos os dias. Com isso, é possível encontrar vários voos para o belo International Airport of Hong Kong.

Saguão do Aeroporto Internacional de Hong Kong (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

O moderno aeroporto foi inaugurado em 1998 e é considerado uma das obras mais complexas do mundo. Uma ilha artificial foi construída só para abrigar o aeroporto (lembra da falta de espaços para construção?). Por aqui passam 35 milhões de passageiros por ano.

Diversas companhias fazem a rota, mas não espere achar voos diretos. Por causa da distância, todos têm pelo menos uma parada. Nessa área, a dica é procurar as melhores promoções e ficar esperto. Alguns países, como os EUA, por exemplo, exigem o visto local mesmo para uma simples conexão. Cheque bem esse detalhe antes de comprar a passagem. Às vezes o preço e o trabalho que você vai ter com esse visto do local de parada acabam fazendo compensar uma passagem um pouco mais cara de outra companhia.

Os detalhes do teto chamam atenção de quem chega (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

Um detalhe que afasta muita gente de uma viagem para a Ásia é a distância. Já ouvi várias vezes as frases: é muito longe, tenho medo de avião e mais um monte de coisas. Bom, a viagem é realmente longa.

Na última vez que fui, fiz o primeiro voo entre São Paulo e Abu Dhabi em 14 horas, esperei três horas pelo voo de conexão e enfrentei mais oito horas até Hong Kong. Contando que você precisa chegar antes no aeroporto, mais o tempo da imigração e espera das bagagens no destino, você vai ficar pelo menos um dia viajando. É longe, você passa muito tempo sentado, mas, na minha humilde opinião, vale muito a pena. Deixar de conhecer novos lugares, novas culturas e novos olhares sobre o mundo só porque é longe não me parece muito inteligente. Quantas vezes você ficou o dia inteiro na cama, babando e não fez nada? Gastar um dia viajando não vai te matar.

Falando em morrer, vamos conversar sério sobre o medo de avião. Eu sei que muita gente sente pavor, treme todo só de pensar em entrar em uma aeronave. Muitos filmes mostram isso e a gente acaba pirando.

Deixa eu usar uns números para te ajudar voltar a realidade. Saiba que a chance de você bater as botas em um voo é de uma em 11 milhões. Já a chance de morrer em um acidente de carro é de uma em 5 mil. Você vai deixar de andar de carro agora? Ainda não se convenceu? Mais números. A chance de morrer por um ataque de cachorro é de uma em 119 mil. É muito, mas muito mais fácil, morrer atacado por um cachorro do que cair com um avião. Mais um pouco. É o último, prometo. A chance de você ganhar na Mega Sena é de uma em 7 milhões, ou seja, você tem muito mais chances de virar milionário do que morrer em um acidente aéreo.

Por dia, mais de 11 mil voos cruzam o céu no mundo. Quantos você ouve falar que caíram? Poucos, não? Portanto amigo, como diria minha querida avó, deixe de besteira e vamos aproveitar a vida. Ela passa rápido.

Galera entrando no avião para encarar um dia de viagem até Hong Kong (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

O tão mal falado Jetlag

Esqueci de te contar um detalhe. Todo esse tempo de voo até Hong Kong vai te fazer avançar no tempo. Mas não é igual ao “De Volta para o Futuro”, a realidade é um pouquinho diferente. Como Hong Kong fica do outro lado do mundo, o dia começa primeiro por lá (ah, as aulas de geografia). A diferença de horário varia com a época do ano, mas é uma média de 11 horas na nossa frente. Ou seja, quando for meio dia aqui, são 23h por lá. Pior, quando aqui for 3 da manhã, lá já são 14h da tarde. Portanto, se você não é um morcego, seu corpo vai sentir a diferença.

Estamos acostumados a dormir e comer em horários parecidos, e quando nos encontramos em um local totalmente diferente, o nosso corpo sente. Vai te dar fome de madrugada, fome de janta na hora do café e o mais chato de todos: sono durante o dia e insônia durante a noite. É inevitável escapar do jetlag. Existem várias técnicas para minimizar os efeitos, mas para mim o mais fácil é se conformar.

Você vai ficar um pouco tonto e devagar durante o dia e vai ter dificuldades para dormir. A minha dica é: force seu corpo a se acostumar com a nova situação. Não durma durante o dia (o que é mais fácil do que parece, já que você vai ter programas legais e diferentes durante o tempo todo), tente descansar o máximo durante a noite e tente também comer nos horários certos. Com o passar dos dias você vai se sentir melhor. Mais uma vez, jetlag não é desculpa para não conhecer o mundo.

O que fazer?

Depois de guardar dinheiro, perder o medo de avião e descobrir a época certa para viajar, chegou a hora de saber: o que diabos vou fazer em Hong Kong? Eu vou detalhar nos próximos posts dicas dos passeios mais famosos da ilha, mas já adianto que existem vários programas para se fazer por aqui. Se você nunca foi até a Ásia, recomendo Hong Kong como primeiro destino. Como a ilha pertenceu aos ingleses durante muito tempo, Hong Kong é uma mistura das culturas ocidental e oriental. Claro que isso tudo reflete também na culinária.

Turistas aproveitam para tirar fotos dos arranha-céus iluminados (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

Andando pela ilha você vai se deparar com hamburguerias gourmet ao lado de restaurantes com comida oriental tradicional de vários países da região. O interessante seria chegar em Hong Kong, passar uns dias na ilha, e depois seguir para um outro destino asiático. E agora vem outra boa notícia. Do aeroporto de Hong Kong saem voos low-cost para quase todos os países da Ásia. Com um bom planejamento e pesquisa, você encontra passagens baratas para vários destinos. Já um pouco ambientado ao clima oriental, vai ficar mais confortável visitar outros países que são bem diferentes do que você está acostumado. Claro que isso é só uma sugestão.

Asiáticos curtindo uma praia no fim de semana (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

Além dessa mistura de culturas, que por si só já valem a visita, Hong Kong ainda junta um combo de praias, montanhas, parques de diversão e restaurantes. A ilha também tem uma vida noturna bem agitada, com bares e baladas no alto dos arranha-céus. Continue acompanhando os posts do Andando pelo Mundo para saber tudo sobre o pequeno pedaço do Ocidente da Ásia. Aqui te ensino a maneira mais prática e barata de sair do Aeroporto Internacional de Hong Kong.

Vista do Big Buddha, uma das principais atrações em Hong Kong (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

 

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