Como chegar a Águas Calientes, cidade base de Machupicchu


Depois de fazer os passeios pela região de Cusco, é hora de ir pra Águas Calientes curtir o ápice da viagem ao Peru: as ruínas de Machu Picchu.

Águas Calientes é um povoado que fica na base da montanha onde está Machu Picchu. O lugar é isolado no meio dos Andes e serve como descanso antes da subida. No próximo post vou falar mais sobre Águas Calientes, mas antes vamos ao mais importante: como chegar lá.

O rio Urubamba corta o povoado de Águas Calientes (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

Como disse ali em cima, Águas Calientes está isolada do resto do Peru no meio do Vale Sagrado. Por isso, chegar até o povoado não é tão fácil quanto a outros lugares. Não existe nenhum estrada que vai até lá.

Atualmente os turistas contam com três opções pra quem quer visitar Águas Calientes: uma fácil e cara, uma difícil e barata e uma difícil e cara, mas com uma experiência espetacular. Vamos começar explicando a usada por 90% dos visitantes: a fácil e cara.

O Trem

Pensando no alto potencial turístico de Machu Picchu, foi criada uma linha de trem que liga Cusco e Ollantaytambo a Águas Calientes. A boa notícia é que o trem é super moderno, confortável e faz o caminho todo em cerca de quatro horas. Existem duas cias que fazem o trajeto: A Peru Rail e a Inca Rail. As duas dão duas opções: saída de Cusco ou de Ollantaytambo.

Lembra que eu disse no post passado que muita gente aproveita o tour pelo Vale Sagrado pra descer em Ollantayambo e pegar o trem de lá? Pois é. O motivo é que as empresas cobram caro pela passagem. Tudo depende da classe escolhia, mas de Cusco pra Águas Calientes, a média é de $200 ida e volta por pessoa (sim, dólares). De Ollantaytambo cai um pouco, $180.

O ideal é deixar o Vale Sagrado como último passeio em Cusco e aproveitar a carona do tour pra ficar em Ollantaytambo, dormir na cidade, e pegar o trem cedo pra Águas Calientes (quase todo mundo faz isso, as empresas de turismo estão acostumadas). O trem de volta você pode comprar direto pra Cusco, que é a única cidade da região com aeroporto.

Passageiros no trem Vistadome da Peru Rail (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

Se você for de Peru Rail, que é a empresa mais usada, existem três classes de trem: A Hiram Binham, o Vistadome e o Expedition.

A Hiram Binham é mais conhecida como primeira classe e custa o olho da cara, uma média $450 por trecho. Ela dá transfer pra estação, jantar gourmet, bar e música ao vivo durante o trajeto.

Para a galera mais humilde, sobram o Vistadome e o Expedition. A diferença de preço entre as duas é pouca: $200 o Vistadome de Cusco e $180 o Expedition.

O Vistodome é o da foto acima e ela oferece algo a mais que o Expedition: essas janelas no teto, que dão uma ótima visão das paisagens durante o caminho. Mas porque eu preciso de muitas janelas??? Observe abaixo uma foto tirada de dentro do trem durante o trajeto.

Pois é, a viagem pra Águas Calientes é uma coleção de belas paisagens. Uma mais bonita do que a outra. Como a diferença de preço é pouca, acho que vale a pena o Vistadome, mas, claro, tudo depende do seu bolso.

Entrada da estação de trem em Poroy (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

Se você decidiu ir de trem, se liga em algumas dicas do tio pra não se perder:

1 – As passagens dos trens podem ser comprada pelos sites da Peru Rail e Inca Rail. Quanto mais cedo você comprar, mais barato vai conseguir pagar. Não recomendo deixar pra comprar no Peru. Pode ser que você não consiga pro dia previsto.

2 – Se você vai sair de Cusco, saiba que a estação de trem fica em Poroy, um distrito a meia hora de carro da Praça das Armas. Um táxi pra lá custa em média 50 Soles. Uma dica é combinar com o hotel um transfer na volta pra Cusco. A maioria dos trens chega à noite na cidade. Alguns taxistas ficam esperando passageiros na estação, mas normalmente eles não dão conta do grande número de pessoas.

Bom, se você é mão de vaca e não quer pagar tudo isso em um trem, vamos a segunda opção: a difícil e barata.

A van 

Existe uma segunda maneira de chegar a Águas Calientes. Algumas empresas oferecem um serviço de van, que vai de Cusco até uma usina hidrelétrica que fica próxima a Águas Calientes. Ela custa, em média, 55 Soles.

Já ficou feliz que vai pagar mais barato? Deixa eu só te explicar umas coisas primeiro. Ao contrário do trem, que faz o trajeto em quatro horas, a van leva em média sete horas pra chegar lá. E lembra também que eu disse que não existem estradas? Pois é, a van passa por caminhos nas montanhas, grande parte não asfaltados e do lado de precipícios.

E não é só isso. A usina em que eles te deixam fica próxima de Águas Calientes, mas não é exatamente na cidade. É preciso fazer uma caminhada de duas a três horinhas pra chegar lá. Se mesmo assim você está disposto a encarar, o pessoal do Apure Guria fez o trajeto e explica certinho como funciona aqui. Mas vou adiantando que se você curte uma aventura de verdade, o melhor é ir pela terceira opção, a difícil e cara.

Inka Trail

Montanhas nos Andes peruanos (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

Se você é uma pessoa mais ligada à natureza, paisagens, desafios e se faz algum exercício na vida em vez de ficar o dia inteiro comendo chocolate e vendo Netflix no sofá, existe um passeio bem legal pra se fazer na região de Cusco: A Inka Trail.

Em vez de trem ou van, a ideia aqui é ir andando. Quando dominavam a região, os Incas não tinham a opção de comprar uma passagem no site da Peru Rail pra chegar a Machu Picchu. Eles precisam ir a pé, por uma trilha que sai de Ollantaytambo e passa por cima das montanhas até chegar ao templo sagrado. Existem vários caminhos diferentes da Inka Trail. Alguns duram quatro dias e três noites e outros dois dias e uma noite.

Mas você não falou que essa era uma alternativa cara? Pois é. A má notícia é que você não pode comprar mochila, barraca e barrinha de cereal na Decathlon e sair andando na trilha até Machupicchu. Pra usar o caminho é preciso contratar uma agência de viagens local, que vai te colocar na trilha junto com guias e ajudantes pra deixar o seu passeio bem tranquilo.

O preço disso depende da agência, claro, mas gira em média de $450 por pessoa. Eu não fiz a Inka Trail (ainda vou fazer), mas sei que ela passa por paisagens incríveis e por sítios arqueológicos onde os outros turistas não chegam. Você não tem que ser o Usain Bolt, mas é claro que é preciso um pouco de preparo físico pra fazer o caminho. São quatro dias com uma média de 8 horas andando, incluindo várias subidas.

Vista das montanhas de dentro de sítio arqueológico (Foto: Saulo Degrande/Andando Pelo Mundo)

Agora que você já sabe como chegar a Machu Pichu, chegou a hora de conhecer o vilarejo que abriga os turistas. No próximo post te conto tudo sobre Águas Calientes.


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